:: A construção ::
Durante a construção da sede inicial, ocorreram vários incidentes interessantes. Entre os vários funcionários que trabalhavam na construção, havia o Sr. Vieira, que além de trabalhar durante o dia, pernoitava na obra, como guarda do material de construção, ferramentas, etc.
O Sr. Vieira era evangélico e vivia discutindo religião com os demais colegas de trabalho e principalmente com o Sr. Dalmace Capell. Não acreditava em reencarnação e nem na existência dos espíritos. Era um homem muito forte, dono de bons pulmões, falava muito alto, gritando mesmo. Era com todo o seu poderio vocal que discutia e que dizia a cada momento não acreditar nos espíritos, pois “tinha cinquenta anos de idade e nunca houvera visto nenhum”.
Pois bem, o tempo passou, e certo dia, o Sr. Vieira, solicitou ao Presidente, que lhe comprasse um revólver, sim, necessitava urgentemente de uma boa arma de fogo. Preocupado com tal solicitação , o Sr. Dalmace perguntou-lhe porque e para que desejava a arma? A esta pergunta respondeu: “Para defender a minha vida e a esta propriedade, da qual, não se esqueça, sou guarda”, e em seguida relatou o que vinha acontecendo há três dias seguidos. Após a saída de todos, já ao anoitecer, pessoas estranhas se aproximavam e ficavam observando a propriedade de forma esquisita e insistente.
O Sr. Dalmace, sem se preocupar com o fato, pois, já presumia o que vinha acontecendo, perguntou-lhe se as pessoas vistas por ele, eram dois homens, sendo um bastante alto, usando botas até os joelhos e um grande facão pendurado na cinta e o outro, um baixinho, usando chapéu de abas largas, trazendo na cinta larga uma esquisita garrucha? A resposta foi afirmativa, sim, eram estas as pessoas estranhas, que por sua vestimenta, pelos objetos que usavam, davam impressão de “coisas do passado”. O Sr. Dalmace, procurando acalmá-lo, disse-lhe que não tivesse medo, que não se tratava de ladrões, que eram apenas espíritos desencarnados. Não contava entretanto, com a reação negativa de suas palavras, o Sr. Vieira tinha mais medo dos desencarnados, do que dos ladrões encarnados. Ficou muito pálido, parecia que ia desmaiar. Voltando a si, porém, muito perturbado, solicitou demissão do emprego em caráter de urgência. Para o nosso querido Sr. Vieira, com cinquenta anos de vida, sem nunca ter visto um espírito, ver de uma só vez, como dizia, duas “almas do outro mundo” era doze por demais violenta.
Alguns meses após a inauguração do Centro, as duas entidades se comunicaram através de médiuns, relatando o fato de serem ex-proprietários da área, e que, notando toda aquela movimentação e construção em sua “sua propriedade”, ali compareciam para defender seus direitos. Depois de esclarecidos quanto ao seu estado espiritual, doutrinados que foram pelo Sr. Deraldo Gomes da Silva (vice-presidente do Centro), pediram desculpas pelos inúmeros inconvenientes por eles causados no ambiente, pois, estavam revoltados com os “invasores” que foram por eles atacados diversas vezes. Tais relatos, explicavam o porque de tantos incidentes, dos constantes desaparecimentos “como por encanto” das ferramentas de trabalho, colheres, metros, etc., desapareciam inexplicavelmente, para depois reaparecerem jogados em locais distantes.
E os desentendimentos que surgiam entre os empregados da obra, exigindo constante interferência do Sr. Mário (chefe da obra) ou do Sr. Dalmace, para que não se agredissem fisicamente? Enfim, incidentes imprevistos e aparentemente inexplicáveis, que ficaram assim devidamente esclarecidos.
Quanto ao nosso amigo Sr. Vieira, após a sua despedida do emprego, nunca mais foi visto, mas com certeza suas convicções sobre a vida espiritual mudaram.

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