:: O sonho não acabou ::
Tudo isto representava a concretização de parte do “sonho” e a outra parte do “sonho”, quando se concretizaria? A pergunta que não saia da cabeça dos fundadores era quando começariam a receber e acolher meninas pobres e órfãs? Lá estavam os quartos vazios, sem móveis, sem camas, sem colchões e sem crianças.
A situação econômica era simplesmente terrível, sem dinheiro e com dívidas a serem pagas ainda da construção.
Preocupados com a dívida e na ânsia de o quanto antes dar abrigo as crianças, passaram então a percorrer todas as repartições públicas, julgavam que só pelo fato de terem conseguido a construção de uma ampla Casa e assim apresentando o fruto do esforço e da boa vontade, conseguiriam a ajuda dos poderes governamentais. Não ficou uma só repartição ou departamento ligado à criança ou a promoção social, que não fosse visitado pelo Sr. Dalmace, foi batida as portas da Prefeitura Municipal de São Paulo, Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, Câmaras Municipais, Palácio do Governo. Em todas as portas de amigos, de parentes, e sempre encontraram uma coisa em comum, estavam todas fechadas e trancadas, ninguém podia ajudar, e consta que alguns chegaram a maltratar os companheiros que se investiram nesta empreitada. Ninguém estava interessado em ajudar uma entidade com atividades tão sem importância, não havia o menor desejo e nem preocupação com a criança carente, com o menor abandonado, todos tinham muito com que se preocupar, com seus próprios filhos, embora a delinqüência e a prostituição já fosse notória nos meios juvenis.
Entretanto, se faltava apoio, compreensão por parte dos encarnados, os desencarnados apoiavam intensamente a cada passa dado e era essa presença amiga, esse incentivo, ao dar ânimo, principalmente nos momentos em que era colhidos dos encarnados as desilusões provocados pelos sonoros e destruidores : “Não! Não! Não! “.
Passaram-se alguns meses, e aqueles mesmos abnegados diretores que até ali tinham doado tudo de sí na compra do terreno e na construção da sede, foram obrigados a continuarem doando e foi com esse dinheiro, diga-se de passagem ganho com o trabalho profissional, fruto de horas extras de trabalho cansativo de meses seguidos, e ainda, com o “apertar dos cintos” em seus próprios lares, com a compreensão superior dos seus familiares que, indiretamente colaboraram, e foi assim, que as dívidas foram pagas e que se comprou as primeiras camas, colchões e móveis para o Lar das Meninas.
Finalmente, depois de intensa luta relatada acima, o Lar Maria Amélia, que ainda era um departamento da Sociedade Espírita Beneficente Maria Amélia e que depois passou a ter constituição jurídica própria, recebia e acolhia em regime de internato as primeiras crianças, Roseli a baianinha de quarto anos e Esmeralda uma sergipaninha de cinco anos.
Agradecidos à Deus e aos queridos Mentores Espirituais, os fundadores viam concretizar-se, mais uma parte do grande e maravilhoso sonho.

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